< voltar
DIREITO Á MORADIA
Moradores da Vila Nazaré pedem que CCDH acompanhe
processo de realocação das famílias


Representantes dos moradores da Vila Nazaré estiveram na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, em reunião ordinária na manhã desta quarta-feira (04), solicitando o apoio do órgão no processo de remoção dos moradores do local, em função da expansão do aeroporto Salgado Filho.
Segundo Fernanda de Bitencourt Escobar, arquiteta que acompanha o caso, a Prefeitura não conversou com a comunidade para definir quantas famílias de fato precisariam deixar suas casas e para qual destino deveriam rumar. “A comunidade quer opinar. Trata-se da vida destas pessoas”, frisou. De acordo com a arquiteta, a Prefeitura apresentou duas opções para os moradores: o condomínio Senhor do Bonfim, com capacidade para 360 famílias, frente à demanda de 2 mil moradores da Nazaré; ou o Bairro Timbauva. Porém, há resistência quanto ao Bairro por ser distante 13km da Vila Nazaré, o que representa um deslocamento, de ônibus, de cerca de 1h10, além da perda de vagas em escolas e creches próximas. “O pior é que já estão desativando postos de saúde, escolas de dentro da comunidade. Estão precarizando os serviços para convencer as pessoas da Nazaré a deixarem o local”, denunciou Fernanda.
Outro problema relacionado ao Bairro Timbauva seria o fato de outras comunidades já terem sido deslocadas para lá, o que favoreceria rixas e violência. “O perigo lá foi o Estado quem colocou, porque misturou um monte de comunidades no local. Os moradores dizem: ‘se vão me dar uma chave na Timbauva, me deem logo um caixão, porque eu vou morrer lá’”, narrou Fernanda. Ela reforçou que os moradores estão na Vila Nazaré há 60 anos; e a concessão para o aeroporto teria ocorrido somente em 2010. “Os direitos destas pessoas estão sendo violados de forma muito dura. Precisamos de olhares voltados para a Vila Nazaré”, disse a arquiteta.
Alex da Silva Dutra, da Associação de Moradores da Vila Nazaré lembrou que para o direito às casas tanto no Bonfim ou na Timbauva, as famílias foram classificadas em apenas 3 grupos: muito-vulneráveis, médio-vulneráveis e invulneráveis. No entanto, não há classificação para pessoas com pequenos comércios ou com funções como a reciclagem, o que as incapacita para o acesso às casas. “Eles alegam que o programa Minha Casa Minha Vida não dá comércio e também não há galpões de reciclagem no local. Como estas pessoas vão trabalhar? De que vão viver? Onde vamos comprar? É desumano o que estão fazendo.”, relatou.
Para o presidente da CCDH, todas estas questões devem ser discutidas em audiência pública sobre o tema, cuja realização foi aprovada pelos membros da Comissão ainda nesta manhã. A ideia é que a diretoria de Habitação da Prefeitura e do Estado sejam convidados. A data do encontro ainda não foi definida.
 
Ocupação Senhor do Bonfim – As mais de 360 famílias que ocupavam o condomínio de casas no Bairro Navegantes destinado a realocar às famílias oriundas da Vila Nazaré foram obrigadas por Ordem Judicial a desocupar o local no mês passado. No entanto, deste total, 30 famílias que não tiveram para onde ir, ocupam agora um prédio na rua Jerônimo Coelho, no centro de POA.  Eles também vieram à CCDH pedir o apoio do órgão para negociar com a Prefeitura, proprietária do local, a permanência das famílias. “Há cerca de 35 crianças no prédio e outras famílias com filhos devem chegar, porque estão tendo de deixar os locais provisórios onde estavam morando”, contou Adriano Silva, da Associação de Moradores.
Ana Bandeira, uma das ocupantes, disse ter ouvido do diretor do Demhab, Mário Marchezan, durante a desocupação da Senhor do Bonfim, “que voltasse para o lugar de onde havia saído”. “Eu não tinha para onde ir. Antes da ocupação, eu estive em um abrigo público. A gente não ocupa porque gosta de ocupar, como ouço muita gente dizer. Ocupamos porque não temos possibilidade de comprar uma casa ou pagar um aluguel”, lamentou.
Integrante da CCDH, a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) sugeriu que a Comissão intermedeie uma negociação com a Prefeitura, visto que há crianças no local e é obrigação do Estado garantir a integridade destes menores.
 O presidente da Comissão, deputado Jeferson Fernandes concordou e propôs também uma visita dos parlamentares ao prédio ocupado no centro da cidade. “Vamos até o local verificar as condições das famílias e mostrar a nossa disposição de trabalhar para proteger estas pessoas”, concluiu.
 
 
 
< voltar
Facebook
@Copyright Jeferson Fernandes
Inicial
|
Parlamentar
|
Notícias
|
Fotos
|
Publicações
|
Vídeos
|
Áudios
|
Links
|
Boletins
|
Contatos
|