Os 46 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores foram registrados no espaço do Grande Expediente da sessão plenária desta quarta-feira (11), pelo deputado Jeferson Fernandes (PT). A homenagem foi dedicada também ao ex-deputado Frei Sérgio Görgen, falecido recentemente, um dos fundadores do partido e do Movimento dos Pequenos Agricultores, como símbolo da “construção coletiva” que define a legenda que governou o país em períodos alternados por mais de duas décadas. O deputado Valdeci Oliveira, que é o presidente estadual do PT no Rio Grande do Sul, presidiu a sessão plenária no período do Grande Expediente.
Ao revisitar a história de coragem, enfrentamento e esperança que definem o partido, Jeferson destacou sua origem popular, em 1980, diferenciando-se dos grandes partidos políticos brasileiros, surgidos a partir do poder político e financeiro. As lideranças surgiram a partir do meio sindical, no meio urbano e rural, os estudantes, associações de moradores de periferias, as Comunidades Eclesiais de Base, a intelectualidade, artistas e grupos de perseguidos políticos pela ditadura militar, fundadores que “ousaram romper com a lógica tradicional” e introduziram a ideia de que o povo é o sujeito ativo da história.
Alicerçado no processo de redemocratização do país, o Partido dos Trabalhadores foi ampliando sua presença entre as mulheres, movimento negro, comunidade LGBTQIA+, povos indígenas e outros segmentos socialmente estigmatizados, “fazendo prosperar a ideia de um partido de esquerda, democrático nas suas instâncias, com direito de tendência, defensor dos Direitos Humanos”, disse o Líder Partidário do PT da tribuna, o que notabilizou a legenda na luta antirracista, contra o machismo e a homofobia.
Outro aspecto abordado por Jeferson Fernandes foi o padrão do partido na gestão pública, em especial no governo federal, a partir da responsabilidade econômica e compromisso social. “E o presidente Lula, assim como a ex-presidente Dilma, conseguiram implantar políticas públicas em sintonia com nossos princípios”, apesar das adversidades e do perfil conservador do Congresso Nacional. Resultado disso foram os três mandatos de Lula da Silva através do voto direto, e de Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita e reeleita no país, com atuações que registraram crescimento com distribuição de renda, valorização do salário mínimo, geração de empregos e fortalecimento do mercado interno. A deposição de Dilma, sucedida por governos que retiraram direitos trabalhistas, colocou novamente a população no modelo de exploração econômica.
A oposição ao partido ganhou contornos que avançaram além da política, como em 2018, quando Lula foi impedido de concorrer e foi preso por “processos fraudulentos do então juiz Sergio Moro em conluio com membros do MPF”, o que abriu caminho para Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de estado. Ao contrário das medidas petistas, Bolsonaro desmontou os programas sociais, afundou a economia ao entregar a Petrobras e outras estatais ao capital privado, destruiu o meio ambiente, e ainda agiu com negligência na pandemia, o que resultou em 700 mil mortes no Brasil. A disseminação do ódio contra o PT pela extrema direita, disse Fernandes, se deve ao padrão de denúncias que o partido faz contra aqueles que descumprem os regramentos e ferem os princípios democráticos.
Foi nesse contexto que o presidente Lula, nas comemorações da data partidária, alertou para este período de disputa de ideias, “uma verdadeira batalha política e comunicacional”. “Quando Lula fala em “guerra”, não fala em ódio ou violência, mas da guerra de ideias, da defesa da verdade e da democracia”, observou o deputado. Nesse contexto, ensina sobre a importância das alianças políticas, de frentes democráticas, reconhecendo erros do passado.
Fernandes seguiu evidenciando a trajetória do PT no Rio Grande do Sul, onde introduziu a experiência do Orçamento Participativo, democratizando o acesso às decisões e o direito à participação popular. “Essa trajetória está ligada a lideranças históricas como Olívio Dutra, Tarso Genro, a primeira bancada na Assembleia com Raul Pont, Adão Pretto, Selvino Heck e José Fortunati, o senador Paulo Paim, e tantos outros que ajudaram a construir o partido no estado”, afirmou. Lembrou ainda da primeira secretária de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, e das deputadas federais e estaduais da legenda, assim como vereadoras e a ex-presidente do PT, Jussara Dutra. E ainda os milhares de militantes anônimos, que sustentam o partido com trabalho voluntário, coragem e convicção.